
Adaptação é uma constante em toda e qualquer atividade humana. Como disse Charles Darwin: “Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças”.
Apesar de, em sua frase, Darwin estar se referindo a evolução das espécies, podemos aplicá-la a muitos outros contextos.
Porém, é comum aos praticantes tradicionalistas de artes marciais manter dogmas que tinham um significado na época da criação da modalidade, mas que não se aplicam mais aos dias de hoje.
Isso acaba afastando o praticante da essência da modalidade, trazendo um apego exagerado às formalidades.
Neste artigo, tento fazer uma relação entre adaptação e artes marciais em diversos contextos. Confira!
Como relacionar os temas adaptação e artes marciais?
Para fazer uma relação entre estes dois temas, separo basicamente na transformação das modalidades em si, ou seja, na adaptação pelo qual precisam passar dependendo do contexto, e a adaptação pessoal, a do praticante.
Em um texto anterior aqui do blog, você pôde ver que a estrutura básica das artes marciais é a mesma: a teoria marcial e o sistema. O que difere uma modalidade da outra são o contexto na qual são criadas e o objetivo de sua criação.
Quando o contexto muda, a estratégia, tática, técnicas e o próprio sistema precisam passar por adaptações.
Mudanças no contexto histórico
O karate de Okinawa é uma adaptação de artes marciais chinesas, trazidas ao contexto do arquipélago, hoje pertencente ao território japonês.
O próprio significado da palavra karate passou por mudanças. Em sua origem, utilizava caracteres que traziam o significado “mão chinesa”. Porém, a partir do século XX, ocorreu um movimento liderado pelo mestre Gichin Funakoshi para que a modalidade evoluísse de acordo com o contexto da época, se tornando uma arte marcial nacional.
Assim nasce o karate como uma modalidade japonesa, e com o significado de “mãos vazias” que conhecemos hoje.
Com isso, a modalidade passou por algumas mudanças tanto nas técnicas quanto em sua filosofia. Deixou de ser focada apenas um conjunto de técnicas e passou a incorporar a filosofia do “do”, ou caminho de vida.
Então, derrotar o inimigo passou a não ser mais o objetivo principal. A prática da autodefesa precisaria ser exercitada em conjunto a treinamentos que conduzissem o praticante a uma evolução integral (corpo, mente e espírito).
Esse é apenas um dos vários exemplos de modalidades que precisaram passar por adaptações por conta da mudança do ambiente e do contexto.
Competições e suas regras
Eu sempre digo que uma mudança ocorrida no conjunto das regras de uma modalidade transforma a forma como os competidores lutam.
Sempre recebo perguntas questionando o porquê de, na minha modalidade de origem, o karate kyokushin, não serem permitidos socos no rosto.
A verdade é que poucos sabem que o kickboxing japonês, que originou o evento K-1, sendo a modalidade de kickboxing mais praticada no mundo, nasceu do karate kyokushin.
Então, uma simples mudança nas regras gerou uma nova modalidade e um jeito completamente diferente de lutar.
Adaptação tecnológica e tática
Trazendo para o contexto militar, ou seja, da raiz da palavra marcial (do deus Marte, deus da guerra), a adaptação tecnológica é uma constante.
O que vence uma guerra não é o espírito guerreiro, e sim o fato de possuir as melhores armas, ou melhor tecnologia, e ter uma boa estratégia para conseguir utilizá-las em diferentes situações.
Por isso a área de defesa dos países investe tanto no desenvolvimento de novas armas e meios para que se possam ser utilizadas nos mais diferentes contextos.
Desenvolvimento do indivíduo
Este é o foco principal deste site, e o que mais tratamos aqui, a evolução do indivíduo.
A capacidade de se adaptar é essencial para que uma pessoa consiga enfrentar os desafios da vida.
Ao treinar artes marciais, você passa por simulações dessas situações. Aprende a realizar tarefas sob pressão, a ser resiliente e a encontrar soluções quando está em desvantagem.
Tudo isso serve de bagagem para quando você precisar enfrentar uma situação difícil, mesmo que em outro contexto.
Artes marciais praticadas em diferentes culturas
Uma mesma modalidade praticada em locais diferentes passa por adaptações.
Apesar de haver um conjunto de técnicas e regras de conduta universal, é impossível fazer com que uma mesma modalidade seja praticada exatamente como em seu local de origem.
A diferença cultural faz com que a compreensão do que é ensinado passe por muitas variações. E, no final das contas, o importante acaba sendo o resultado, ou seja, se aquela modalidade está cumprindo seu objetivo naquele contexto.
Ao tentar prender-se a regras muito rígidas, as organizações correm o risco de se tornarem meras cópias, reproduzindo comportamentos e técnicas sem a sua total compreensão.
Conclusão
Como você pode ver, a adaptação em artes marciais ocorre em diversos níveis. Bruce Lee, em sua frase “Seja água!”, tenta nos alertar da importância da adaptação.
Mas para que sejamos capazes de nos adaptarmos, precisamos desenvolver flexibilidade e resiliência.
E você, se considera uma pessoa com fácil adaptação? Deixe seu comentário!
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