
A respiração talvez seja a nossa necessidade mais básica. Podemos viver um bom tempo sem comer, alguns dias sem água, mas sem respirar, duramos poucos minutos.
Nas artes marciais, coordenar a respiração com os golpes é essencial para que uma técnica seja bem executada. Além disso, controlar a respiração durante a luta faz com que o artista marcial mantenha o foco e consiga controlar suas ações dentro da área de luta.
Mas não se engane. O controle emocional proporcionado por exercícios de respiração não se limita à prática dentro do dojo. Elas podem e devem ser aplicadas em diferentes situações.
Mas por que será que, apesar de seus benefícios, essas técnicas ainda são tão pouco utilizadas? E mais, como elas podem ajudar no controle do estresse? É o que tratarei neste artigo!
A respiração nas artes marciais
No karate kyokushin, minha arte marcial de origem, temos um treino chamado de “kihon geiko”.
A palavra kihon significa básico em japonês, enquanto keiko significa treinamento. Quando juntamos as duas palavras, keiko passa a ser pronunciado geiko. Assim, o nome do treinamento fica kihon geiko.
Neste treinamento, são praticadas as técnicas básicas do karate kyokushin.
Seguindo a contagem do instrutor, os praticantes executam as técnicas, soltando um “kiai” (grito) ao final de cada golpe.
Este treino por si só já ajuda o praticante a aprender a controlar o ritmo da respiração, já que tem que a execução dos golpes e o kiai precisam seguir o ritmo da contagem do instrutor.
Com essa base, quando o praticante passa a treinar técnicas mais realistas de luta, já está acostumado a soltar o ar quando desfere o golpe.
Isso é muito importante, já que a luta não segue um ritmo ordenado. É o praticante quem controla o ritmo da própria respiração. E, geralmente, quem não desenvolve essa habilidade, se cansa mais rapidamente, ficando sem energia para continuar lutando.
Daí a importância de “saber respirar” mesmo com um adversário tentando vencê-lo.
Mas não é só quando a luta começa que a respiração se torna importante para o lutador.
O nervosismo antes da luta
Por mais preparado que seja um lutador, é comum que, pouco antes de entrar na competição, ele sinta um frio na barriga.
Não há nada de errado em ficar nervoso antes de uma luta. Pelo contrário, o nervosismo controlado ajuda o lutador a se manter alerta durante a batalha.
O problema é quando ele sai do controle.
Se um lutador fica muito nervoso antes da competição, o corpo acaba gastando muita energia, pois libera muita adrenalina e cortisol na corrente sanguínea.
Além disso, o foco e a concentração acabam ficando afetados, o que pode fazer com que o lutador cometa muitos erros técnicos e se desespere na hora da luta.
O que ele precisa fazer nessas situações é realizar uma respiração mais profunda, inspirando o ar devagar, mantendo-o por alguns segundos nos pulmões, e soltando lentamente.
Fazendo isso, ele sentirá seus batimentos cardíacos voltando ao ritmo normal e suas emoções se restabelecendo.
Respiração, estresse e ansiedade
Você já deve saber que não são só os lutadores e atletas profissionais que experimentam essa sensação.
Até porque você vive no país mais ansioso do mundo.
Somos campeões em ansiedade e, infelizmente, recorremos muito a remédios antes mesmo de tentarmos ajustar nossa rotina ou praticarmos simples exercícios de respiração.
Quando nos sentimos ansiosos, ou quando, de alguma forma, nossas emoções estão desestabilizadas, um dos primeiros sinais que o corpo dá é a alteração nos ritmos cardíaco e da respiração.
A sensação de falta de ar, sudorese e confusão mental também são sinais comuns em situações como essas.
Isso acontece porque nosso sistema nervoso manda sinais ao corpo para que estejamos preparados para uma situação de luta ou fuga. O problema é que nos dias de hoje, na maioria das vezes, a situação de “perigo” sinalizada pelo corpo não corresponde a um risco real à nossa saúde e à nossa vida.
Em situações como essa, a melhor maneira de fazer com que o corpo e a mente voltem ao seu estado normal é fazer algumas respirações profundas.
Fazendo isso, você irá perceber a frequência de batimentos cardíacos diminuir aos poucos e a mente se tranquilizar.
Então, na próxima vez que precisar uma “batalha” pela frente, como uma reunião importante de negócios, uma operação de investimentos arriscada, ou qualquer situação inesperada, lembre-se, respire!
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